Um garotinho chamado José Carlos

Novembro 29, 2009 por lindinor

Ídolo, para mim, é aquele cara que se destaca, vira referência no que faz, tem estilo próprio. Na segunda-feira, 23 de novembro, após o expediente de trabalho, não poderia perder a oportunidade de ir à livraria Saraiva do Norteshopping para, numa tarde/noite de autógrafos, conhecer, cumprimentar e, claro, tietar, um dos grandes personagens da história do rádio brasileiro e não apenas do rádio esportivo nacional, “o garotinho ligeiro, que transmite o jogo inteiro, José Carlos Araújo”.

Escrevo depois de devorar o ótimo livro do vascaíno e jornalista, Rodrigo Taves, “Paixão pelo rádio: do milésimo gol de Pelé, ao milésimo gol de Romário”, que traz a história dos 45 anos da trajetória radiofônica de um eterno garotinho que deu leveza, jovialidade, cor e vibração às transmissões de futebol.

Voltando àquele início de noite, chego na entrada da livraria e não avisto o ilustre personagem e o autor. Pergunto ao vendedor: “É hoje mesmo o lançamento do livro do Zé Carlos Araújo?” A resposta positiva me encaminha direto ao caixa para comprar e, em seguida, pegar os autógrafos no mezanino da loja, onde estavam José Carlos e Rodrigo.

Subo o lance de escada e recebo o cumprimento cordial: “Fala, garotinho.” Era ele mesmo e eu não podia deixar de dizer: “Hoje estou conhecendo um ídolo, como Assis, Washington, Romerito. Um dos maiores narradores do rádio esportivo brasileiro de todos os tempos, como foram Jorge Curi, Waldir Amaral e Doalcey Camargo. Além disso, um dos caras, que como Haroldo de Andrade e Cidinha Campos, me inspiraram a fazer jornalismo e trabalhar no rádio”. Aí, o Rodrigo perguntou: “Você já fez rádio?” Respondo: “Já, mas agora tô trabalhando na Comunicação da Petrobras”. O autor ainda pergunta sobre o meu time, que aliás, pelo sobrenome só poderia ser mesmo o Tricolor das Laranjeiras.

Após os autógrafos, peço para tirar uma foto com José Carlos, que me atende com a maior simpatia. Foto tirada, me despeço desejando vida longa para o nosso garotinho no rádio e desejando sucesso a Rodrigo.

Ah, já ia esquecendo: perguntei sobre um possível sucessor. Mas a resposta, como foi a mesma do livro, não vou dizer, mas recomendar que, mesmo que você não tenha uma paixão pelo rádio ou pelo futebol, vale a pena conhecer a história de um grande profissional e ser humano, que para nós será sempre o verdadeiro e único garotinho.

Donna Summer in Rio: eu fui!

Novembro 17, 2009 por lindinor

Segunda-feira, 9 de novembro, 22h. Com meia hora de atraso, saudada por uma elegante fanfarra, ela sobe ao palco do Citibank Hall para sua única apresentação no Rio. “The Queen is Back”. A música que abriu o show, incluída no mais recente CD, “Crayons”, primeiro álbum da cantora só com músicas inéditas em 17 anos, é emblemática: a rainha voltou para a alegria de seus, já não tão jovens súditos.

Se você viveu os embalos de sexta, sábado e domingo à noite, daqueles anos 70 e 80, que insistem em não sair da nossa lembrança, sabe que estamos falando dela, primeira e única diva da “disco music”, Donna Summer.

Com um vestido prateado, que não escondia uma silhueta, digamos, um pouco mais generosa, Donna, ainda belíssima, do alto dos seus quase 61 anos, emendou “I Feel Love”, de 1977, ponto de partida da história da música eletrônica e da animação das mais de quatro mil pessoas que lotavam o galpão metido à besta do Via Park.

Em seguida, para gáudio e gozo de uma turma já grisalha, em sua grande maioria, a rainha atacou com “Could it Be Magic” (1976). Ali soltou a voz e o sorriso, levantando o público de vez e definindo o tom da noite: simpática, animada e impecável.

Impecável como o segundo figurino da noite: um vestido coral, com toques florais e esvoaçante. Peraí. Você não tá achando que eu sou um estilista bem gay? Sou apenas um hetero conservador, mas que adora o corpo feminino (com ou sem vestidos).

Feito o registro, voltemos ao que interessa. Ainda de coral e cantando tão bem quanto há 30 atrás, para sorte dela e deleite dos fãs, Summer ainda mandou “Dim All The Lights” e “On The Radio”.

De conjunto vermelho, segurando um guarda-sol (ou seria um guarda-noite?) igualmente encarnado, ela desce a escadaria do palco, entoando a bela e triste “No More Tears”. Mas o melhor (pelo menos pra mim) ainda estava para vir. Escuridão pré-apagão e a diva tira o blaser e de colete preto (combinação que, em minha opinião talvez tenha sido o único senão da noite) e ataca com a minha preferida: “MacArthur Park” e o Citibank Hall veio abaixo, avançando em direção ao palco.

Ainda com esse figurino, faz uma bela homenagem a um ídolo comum, Michael Jackson, cantando, o que segundo ela disse, seria uma das músicas preferidas de Jacko: “Smile”.

Outra homenagem, e aí vem a diplomacia da bela negona, foi ao samba brasileiro, num momento, tão lindo como surpreendente. Três ótimos bailarinos, negros, of course, vestidos como os nossos velhos malandros cariocas, sambaram ao som de uma genuína bossa nova, levada na língua do “Tio Sam”.

Os ânimos diminuem um pouco quando ela canta faixas do último CD – foram seis, ao total. Donna tem orgulho de seu último trabalho, um disco realmente interessante, mas pouco tocado por aqui, e não está nem aí para a apatia da galera: canta suas novidades com o mesmo empenho que entoa seus maiores hits. Sucessos que nos fizeram voltar três décadas, quando ela surge, aparentemente saindo da capa do LP, isso mesmo, naquele tempo era vinil, “Bad Girls”, cantando a música título.
“Hot stuff” segue esquentando a galera, que sabe que a rainha “trabalha duro para ter dinheiro”. Grana que divide, um pouco, vá lá, com a competente banda que ela apresenta. Ih, já estamos na reta final… Acho que é óbvio o fecho do espetáculo.

E, de novo, túnel do tempo. Direto da tela do cinema, a personagem Nicole Sims, uma cantora iniciante que tentava a sorte numa discoteca da louca NY, aparece, com o mesmo vestido preto da cena final do filme “Thanks God it´s Friday” (“Até que enfim é sexta-feira”, para nosostros) e nos convida a uma última dança. “Last Dance” (Last chance for Love. Yes is my last dance. Romance, tonight…).

Para aqueles que continuam a ter Donna Summer como uma das suas grandes musas, que este espetáculo não tenha sido uma última dança. Volte logo.

Resposta ao Carlos Vereza

Outubro 31, 2009 por lindinor

Na edição de sábado (31/10/2009) do jornal O Globo, o ator global e militante tardio da extrema-direita brasileira, escreveu um artigo intitulado “Pacifista às avessas”, onde desfia um cipoal de bobagens. Encaminhei resposta para a seção de cartas do jornal, às 14:20 do mesmo dia. Como não sei se o texto será publicado, segue na íntegra.

Mais uma vez, o Sr. Carlos Vereza ocupa espaço no Globo para destilar seu radicalismo direitista tardio, leviandade e desinformação. Como todo extremista, nega-se a ver a realidade, distorce os fatos e faz insinuações sem qualquer sustentação, como querer relacionar uma campanha presidencial a uma organização criminosa, chegando a afirmar textualmente que a maior facção criminosa de São Paulo teria atuado como “cabo eleitoral” de um determinado parlamentar do PT.
Deplorável, Sr. Vereza, suas comparações carregadas de preconceito, como chamar um movimento social de “SS dos trópicos”. Além disso, alcunhar presidentes, queira o Sr. ou não, legitimamente eleitos de “ditadores”, e aí só concordo quando o Sr. se refere ao líder líbio, demonstra o seu total desapreço pelos povos da Venezuela, Bolívia, Paraguai, Nicarágua, Irã e Honduras, onde, com relação ao golpe de estado, o Sr. nada declarou.
Desinformado o Sr. é quando fala que o pré-sal somente estará produzindo daqui a 15 ou 20 anos. Bastaria ler os jornais com um pouco mais de cuidado para saber que a Petrobras já produziu e refinou o primeiro óleo de Tupi. Isso no mês de maio deste ano, produção esta feita por meio de TLD (Teste de Longa Duração), sendo a 1ª carga refinada na Refinaria de Capuava, que para a sua informação, fica em Mauá, na Grande São Paulo. Ainda sobre petróleo e energia, assunto que o Sr. demonstrou não ter a mínima noção, infelizmente, daqui a 15 ou 20 anos, o petróleo continuará sendo a matriz energética dominante.
Falar em “antiamericanismo” é desconhecer, ou não querer enxergar, as excelentes relações dos atuais governos de Brasil e Estados Unidos. Aliás, Nobel da Paz é o primeiro presidente negro dos EUA. Mas talvez o que esteja incomodando bastante o Sr. seja possibilidade de termos o primeiro operário secretário-geral da ONU.
Por tudo isso, continuo preferindo o ator ao articulista Carlos Vereza.

Cabelos brancos

Outubro 21, 2009 por lindinor

A gente começa a entender que o tempo passa quando nota os primeiros fios de cabelo branco. Olhar no espelho e ver que, timidamente, eles estão chegando. Até que demoraram. Mais de quatro, quase cinco décadas para aparecerem. Daqui a mais alguns anos, mesmo que a gente não queira, vão fazer questão de serem notados, destacados na paisagem de uma já, não tão vasta cabeleira.

Alguns, por vaidade, preocupação, ou sei lá o que, tingem, pensando esconder os anos vividos. Bobagem. Não adianta lutar contra o grisalho dos anos. Afinal, um dos poetas da minha geração já dizia: “O tempo não pára”.

Mas agora, façamos uma experiência e congelemos o tempo. Vamos lembrar o primeiro brinquedo, a primeira professora, o primeiro beijo, a primeira vez…

Que bom! O filme passou pra você e pra mim e a gente percebeu que somos donos de todo o tempo que tivemos e seremos, até onde a vida permitir, roteiristas de uma história breve, chamada vida.

Pra você que, como eu, tem mais de 40, envelheça com saúde, força e dignidade. Pra você que ainda não chegou lá, aproveite mais ainda cada dia, sem se importar com os fios brancos que, uma hora dessas, quando você menos esperar, virão.

“Bandido bom é bandido morto”

Outubro 18, 2009 por lindinor

Queria hoje escrever sobre assuntos mais amenos. Meus primeiros e tardios fios de cabelo branco. O horário de verão, que começa daqui a uma hora e vinte. A excrescência que é essa droga de decisão por pênaltis. Prometo falar disso outra hora, mas o assunto do dia 17 de outubro é uma indignação que quero dividir com vocês. Indignação começada pela frase do título, que, aliás, não é minha, mas do ex-delegado e deputado Sivuca.

Alguns virão com aquele papo sociológico de que “é culpa da sociedade, da falta de oportunidades”, etc, etc. Mas a bandidagem dessa cidade já passou dos limites.

Os atos de autêntico terrorismo merecem uma resposta dura e efetiva. Espero que a declaração da única autoridade que falou, na coletiva de hoje à tarde, o que eu queria ouvir, o chefe de Polícia Civil, delegado Alan Turnowski (“vai ter troco”) e que não seja um troco pontual, mas uma ação constante, planejada, inteligente e integrada para desbaratar os negócios desses facínoras, colocando-os no xadrez ou na vala.

Tá certo que o comércio dessa turma só funciona porque existe uma lei do sistema capitalista, a da oferta e procura. E muita gente que faz aquelas passeatas babacas pela paz, que, aliás, só acontecem na Zona Sul do Rio, fuma o seu bagulho, cheira o seu pó, ou toma o seu pico. São uns hipócritas e cúmplices dessa situação. A fuga da realidade, esse pseudo-prazer de vocês é o que patrocina cenas como as de hoje.

Antes de terminar, esperando ter uma noite sem a trilha sonora dos tiroteios, já que moro a menos de um quilômetro do morro dos Macacos, quero dizer que existe sim uma luz no fim do túnel. Ela se chama educação.

Família

Setembro 29, 2009 por lindinor

Meu horóscopo de hoje terminou com uma frase bacana: “Relaxe o controle e perceba que estar vivo até agora neste belo planeta já é uma dádiva”.

Mesmo sem acreditar muito nesse negócio, não deixo de ler, diariamente, o signo de gêmeos, elemento ar. Bom, mas como astrólogo, quem escreveu a previsão dos astros para o dia 28 de setembro, é um bom filosofo. Previsões à parte, nisso eu levo fé: estar vivo é mesmo um presente.

Mas essa introdução toda, verdadeiro “nariz de cera”, na gíria jornalística, ou “encheção de linguiça”, na linguagem dos seres humanos normais é só pra começar a agradecer pelo singelo fato de estar aqui, lúcido, respirando e poder escrever uma breve homenagem a algumas pessoas que a vida me deu o presente e o prazer de conhecer. Melhor ainda, quando essa galera é da nossa família. E essa turma me proporcionou uma tarde de domingo (27/09), tão doce quanto as guloseimas dos saquinhos de Cosme e Damião.

Comecemos pelo patriarca, por acaso, meu padrinho. Por isso, não vou morrer pagão. O cara já é setentão, mas se você pensou num velhinho caquético, errou: tá inteiraço, física e mentalmente. Ontem, craque da bola, galã sertanejo, na moda da jovem guarda. Continua boa-pinta, boa-praça e bom de papo. No futebol, acredite: torce pelo Bangu. Deixemos isso de lado e falemos que ele é pai de muitos filhos (falarei de alguns, em seguida), avô carinhoso, exemplo de bem-viver para as novas gerações.

Grande padrinho. Você é o cara. Abraço apertado, saudades e, em breve, estarei tomando uma gelada contigo, no Major, Maceió ou Aracaju.

Agora falemos da matriarca, na verdade, é a segunda mãe e não é a madrasta. Veio depois da tragédia que vitimou uma grande mulher outra grande mulher. Cuidou, educou, criou e, a rima é involuntária, a todos nos conquistou.

Professora, também quero te ver em breve. Beijo grande, saúde e meus respeitos.

Muito respeito que a mulher é delegada de polícia. Também foi juíza de futebol, secretária de Estado. É mãe, guerreira e vencedora. A vida é muito legal quando nos permite dizer, com toda a modéstia e sinceridade, pra uma menina que a gente viu nascer e, se você não lembra ou vou te lembrar, pegou no colo: que ser humano admirável você é. Sou seu fã, prima. Siga sendo esse exemplo bonito de vida para seus filhos, amigos e todos que compartilham do prazer do seu convívio.

O penúltimo personagem dessa história, eu também peguei no colo. O tempo passou voando e aquele menino que queria ser um craque nos gramados, hoje é campeão na vida. Jornalista por opção, empresário por vocação, esse camarada vai longe.

Longa vida pra nós, para que possamos brindar as suas muitas vitórias que virão, primo. E quando for milionário, não se esqueça dos pobres…

Termino chegando à Bahia, ou melhor, falando de uma baiana arretada. Essa menina foi uma daquelas pessoas que me conquistou assim, de cara. Jornalista das boas, lutadora que faz acontecer. Por isso, por ela sou tiete, dela e do Chiclete.

Que bom que você entrou na nossa família, prima. Beijo grande e tenha certeza do espaço grande que você tem no meu coração.

Depois de todas essas confissões, eu volto ao começo: estar vivo e compartilhar momentos que ficarão na memória com pessoas queridas é realmente uma dádiva.

Bailando com Isa

Setembro 11, 2009 por lindinor

Depois de curtir, confesso, é verdade, os Jonas Brothers na Praça da Apoteose, eis que surge um novo programa de pai, ou no idioma em questão, “programa de padre”. E agora também de tio…

Sucesso absoluto em vários países da América Latina, a novela teen venezuelana, Isa TKM, produzida pela Sony Pictures Television para a Nickelodeon Latinoamérica é um fenômeno de audiência e uma febre entre os pré-adolescentes, mobilizando jovens no Brasil, Argentina, Equador, Colômbia, México, Venezuela e Estados Unidos.

Isa TKM conta a história do primeiro amor e mergulha nas aventuras, sonhos, fracassos e triunfos de crianças e pré-adolescentes. As aventuras de Isabella – Isa (Maria Gabriela de Faria) e Alex (Reinaldo “Peche” Zavarce) e sua turma, são recheadas de muita cor, música, dança e humor.

Até parece que eu acompanhei os 105 capítulos da primeira fase da novela, que vai chegar à TV aberta em outubro, na tela da Band. Que nada. Eu apenas li um pouco sobre a história e tirei minhas dúvidas com ninguém menos que minha filha, uma fã da Isa e do Alex (que ela faz questão de dizer que é “Alecssi”), a Bia, na doce inocência dos seus 10 anos.

Bom mas se você já leu alguns dos textos anteriores, deve estar se perguntando por que a narrativa de mais um programa de pai ainda não começou. Bom, é que a coisa já se inicia com um mico. Entro no táxi para levar a Bia e a Luiza, a priminha loura, inteligente (sim, elas existem) e linda da minha filha, ao Vivo Rio pra ver o show da Isa TKM. O motorista olha pra minha cara e pergunta: “Flamengo?” A ficha não cai e indignado, respondo: “Fluminense”. E o pior, ou melhor, era que o taxista também era tricolor… Mas deixemos o futebol de lado, até por motivos óbvios.

A chuva caia fininha durante o caminho. Chegamos ao Aterro do Flamengo. Que bom, a garoa deu uma trégua.

Mal descemos do táxi e os camelôs já nos vendem de tudo: camisetas, bandanas, munhequeiras, chaveiros, fotos e muitas coisitas mais.

Procuramos a entrada dos camarotes, já que não aceitei a sugestão das minhas pré-adolescentes de ficar na pista.

Ao chegar, depois de alguns lances de escada, encontramos o camarote BB-42, lá em cima e bem central, com um casal e sua filha. Antes do meu protocolar “boa tarde”, as meninas já estão se enturmando. Sigo o exemplo delas e também tento me aproximar. Por sinal, o casal era pra lá de simpático. Daniel, um advogado com cara de engenheiro, e Laura, uma jovem senhora bastante animada, eram os pais da pequena Bruna, que já ostentava a bandana, munhequeira, botom e a camisa oficial do show.

“Pai, falta quanto tempo?”

“Tio, falta quanto tempo?”

Quinze minutos, respondo. Na verdade, o espetáculo começou com uns 20 minutos de atraso, mas antes, outros simpáticos personagens adentram o BB-42: Solange, outra jovem e simpática senhora, acompanhada de Manuela, Manu, sua filha.

Primeiro sinal. Segundo sinal. Terceiro sinal. O show tem que começar. As quatro meninas já não aguentam mais a ansiedade. Vão para a frente do camarote para ver e dançar melhor. Não por acaso, o espetáculo foi aberto com um convite: “vem a bailar”. E as nossas pré-adolescentes bailaram ao som dos jovens venezuelanos.

Como prova de boa diplomacia, Isa entra com a bandeira do Brasil e Alex com a camisa da seleção canarinho. Aliás, o rapaz até lembrou os “três a uno” da nossa seleção em cima da Argentina e chutou uma bola para o público.

O show, bem o show levou os pré-adolescentes à histeria coletiva. O barulho deles, principalmente delas, em esmagadora maioria, era ensurdecedor.

A, mais ou menos, uma hora e meia, com direito a um intervalo, teve muita dança, cor, humor, música em play-back e cenas com diálogos em português resumindo a trama da novela.

A proibição de fotografar ou filmar foi solenemente ignorada. Afinal, quem não tem digital caça com celular.

Intervalo. As meninas trocam telefones e e-mails. A Bia reconhece uma pré-adolescente ilustre na platéia. “Pai, aquela não é a filha do Didi?” Lá estava Livian Aragão, filha de um ídolo da minha infância, o doce trapalhão, Renato Aragão.

Para a alegria geral, os 15 minutos de intervalo terminam e o espetáculo continua. Aí que começo a entender a tal história e porque a personagem Cristina era sempre vaiada pelas meninas quando entrava em cena. Ela teve a ousadia de se colocar no caminho do romance entre Isa e Alex.

E eu já estava no clima da festa e confesso, me emocionei com a canção que considerei a mais bela das apresentadas pela turma teen. Uma melodia que falava de amizade e que tinha o seguinte refrão original:

“Amigos como tu, hacen mejor la vida

Curan heridas,son de verdad

Amigos como tu, nos traen alegria

Y eso cada dia, le da luz a nuestra amistad.”

No final, Isa e Alex começam o namoro e vencem um concurso de bandas de rock. Acho que já vi essa história em algum lugar… Mas a turminha super-animada pede bis e é atendida com o tema de abertura da novelinha.

Despedidas e combinações (agora dos adultos) de novos programas juntos. Para as meninas, a expectativa por mais um sucesso das telas de TV: Isa TK+.

Até o próximo ano, Isa e Alex.

A magia do teatro na tela do cinema

Setembro 8, 2009 por lindinor

Tony Ramos e Dan Stulbach. Essa dupla talentosa, somada a um belo texto e a direção econômica e eficiente de Daniel Filho, só poderia resultar em ótimo filme.
“Tempos de paz” faz a gente sair do cinema sem esconder aquela lágrima, misturada a um sorriso. Combinando emoção e prazer.

Contradições do ser humano, seja na guerra ou na paz, como provaram os dois personagens centrais da trama. O durão, ex-torturador da polícia política do regime de Getulio Vargas, que virou interrogador alfandegário Segismundo, vivido, acredite, pelo eterno bom moço das telenovelas, Tony Ramos, e o artista, fugitivo da guerra, ator de teatro, que queria ser agricultor no Brasil, o polonês, Clausewitz (o nome não poderia ser melhor…), interpretado, com sotaque pelo igualmente ótimo Dan Stulbach.

Antes de continuar falando do filme, fiquei com uma tremenda dor de cotovelo por não ter assistido a peça “Novas diretrizes em tempos de paz”, de Bosco Brasil, texto em que o filme se baseia. Feita a ressalva, voltemos à cena.

A linguagem da trama é essencialmente teatral, valorizando o embate entre dois seres humanos tão díspares e iguais. Pela ação, cumprindo ordens, quaisquer que fossem, sem o menor questionamento, Segismundo se julga (e em minha opinião é) culpado. Afinal, mesmo na guerra, nada mais odioso e hediondo do que a tortura.

Clausewitz, pela omissão, a meu ver (e espero que você veja o filme, até para discordar da minha opinião) também é culpado. Uma culpa bem mais branda de quem viu e nada pode fazer, além de sobreviver, enquanto familiares, esposa e amigos, como o professor de latim, eram assassinados.

Fuga que o trouxe, em abril de 1945, ao Brasil, no então Distrito Federal, a cidade do Rio de Janeiro, onde a magia do teatro dobrou a dureza do ex-torturador, permitindo a possibilidade de permanência do ator polonês (lembrei do saudoso mestre Zimba) no país.

No final, bem, final não se conta. Só digo que é uma surpresa belíssima, desse grande filme, tão bom que a cerca de hora e meia de duração parece passar rapidinho. Tão imperdível, que, como se diz nas novelas “vale a pena ver de novo”.

Na fila

Agosto 24, 2009 por lindinor

“Que fila é essa?” A aglomeração em torno da livraria Saraiva do Norteshopping, naquela tarde de sábado, 22 de agosto, provocou a curiosidade de muita gente. Afinal, o que estaria acontecendo?

Se você acha que ler é bacana, sacou que se tratava de uma tarde de autógrafos. Você só estanhou a quantidade de pais, mães, tias e tios acompanhando adolescentes e pré-adolescentes, principalmente meninas super-fashion e poderosas em total estado de euforia, como uma gatinha de 10 anos, minha filha, Maria Beatriz, a Bia.

Voltando a pergunta inicial, aliás, ouvida e respondida centenas de vezes na fila, que andava bem devagar, a resposta era uma só: “é a tarde de autógrafos da escritora Thalita Rebouças”.

“Thalita o que? Thalita Ribeiro?”

Falando sério, eu e a Bia ouvimos coisas assim e vou contar mais sobre os momentos de espera até o tão esperado autógrafo e o carinho de um fenômeno de popularidade e vendas da literatura infanto-juvenil brasileira.

“Moço, quem é que tá dando autógrafo?” É a escritora Thalita Rebouças, respondo. “Ah, bom. Pensei que fosse alguma artista de novela”.

“E ela escreve que tipo de livros?” Para adolescentes e pré-adolescentes. “Tá explicado. Como eu já passei, há muito tempo, dessa fase não sei de quem se trata.” Pelo menos, esse cara foi sincero.

Também tinham aqueles que não perguntavam e arriscavam os mais diversos palpites. “É a Shakira.” “A Hannah Montana.” Nada disso, a atração era mesmo 100% nacional. Uma moça mais desatenta confunde um rapaz do fã-clube da Thalita com um astro estrangeiro: “é o cara do Crepúsculo”. Aí não deu pra segurar a gargalhada, de pai e filha.

Antes de entrar, finalmente, na livraria, a cena mais bonita da tarde/noite (já passava das 18 horas): um bebê, e que linda menina, vestindo a camisa do fã-clube (“Ler é bacana”) vai para o colo e recebe o carinho da autora. Thalita, concordo com as boas-línguas: você é mesmo uma fofa.

Finalmente, chega a nossa vez. A Bia abraça e é abraçada, beija e é beijada. Fala que seu pai já conhecia a escritora. “Lembro de você”, diz ela. Eu já entrevistei você, Thalita. “Onde mesmo?” Na rádio Bandeirantes. Ela autografa e posa para mais fotos com a Bia. Vou lá e também tiro a minha foto com ela.

Thalita Rebouças é mesmo uma coisa que passa de filha pra pai.

Globais X Universais: guerra nada santa

Agosto 17, 2009 por lindinor

Se o presente e o Ministério Público condenam a Igreja Universal, o passado e a parcela mais lúcida e consciente do nosso povo também colocam as Organizações Globo no banco dos réus.

Se nos dias atuais os escândalos de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha e outras denúncias do Ministério Público aos líderes da Universal são questões difíceis de refutar, é inegável que o estrago feito pela lavagem cerebral da TV Globo, cúmplice e beneficiária de uma ditadura sangrenta, é bem maior do que a exploração da fé desses novos fariseus eletrônicos.

Mas o que me causa espanto é a adesão de parlamentares ditos éticos, jornalistas considerados isentos e setores da intelectualidade brasileira ao discurso hipócrita, moralista e canalha da Globo. “O que queremos é preservar os interesses dos fiéis”, dizem os globais. Na verdade, o que eles querem garantir são seus lucrativos negócios. Afinal, com dinheiro lavado ou não, a Record já é uma ameaça real ao reinado da TV Globo. Mas pouca gente tem autonomia ou coragem para dizer isso.

Aqui cabe reafirmar que Record também não é santa e, efetivamente, cresceu com um dinheiro de origem suspeita.

O único fato positivo dessa guerra empresarial é que as vísceras ficam à mostra. A podridão, o lamaçal a fedentina de gente que se diz “temente a Deus” (a família concessionária da Globo) e os que se julgam “povo de Deus” (os universais).

Que a Justiça condene e que o diabo carregue, tanto um lado, quanto o outro.