BBB 10: intelectuais no paredão

Se o voto fosse facultativo em nosso país 93 milhões de eleitores se mobilizariam para eleger seus candidatos? Então, como explicar um fenômeno televisivo que na sua 10ª edição continua gerando muita polêmica, e principalmente, audiência?

Você pode até não gostar, mas ninguém consegue ficar alheio à repercussão do Big Brother Brasil. Nos bares, restaurantes, elevadores. Enfim, na vida real, o assunto do momento não é a capacidade do presidente Lula transferir votos para a sua ungida, Dilma Rousseff, ou as indecisões tucanas do governador José Serra. Esse paredão só acontece mesmo em outubro e o povão quer saber mesmo é das peripécias dos seus brothers favoritos.

A atual edição talvez tenha sido a mais liberal e arejada de todas. Dos participantes do programa, três assumiram convictos sua orientação sexual: Dicesar, Serginho e Angélica. Só não deu pra entender a alcunha, a meu ver pejorativa, de tribo dos “coloridos”. Falando nas tribos, realmente o BBB não é para os intelectuais (a exceção do Bial e do Jean Willis). A primeira patota a ser despejada da casa foi a dos “cabeças”. Pois é. Papo cabeça e BBB não combinam. Que o diga a doutora em Lingüística Elenita. Aliás, o que fazia uma doutora na casa, além de querer ganhar uma milha e meia?

Os “belos”, ou melhor, “as belas”, se dão melhor. A suposta vilã do BBB 10, Tessália, já está na capa da “Playboy” e a calipígia Cacau, em abril, estará fazendo o seu nu artístico, para o deleite dos machos desse Brasil varonil.

Personagens, tipos ou seres humanos tremendamente interessantes passaram ou estão na casa, como a ex-PM, mulher, nordestina e arretada, Maroca, o simpático e bonachão, Michel, o alegre, jovial e orgástico, Serginho. A loura e a morena também me encantam. Fernanda está SOLTEIRA, gente! E a Lia, que mulher de fibra. Sobre o Cadu, o cara é o que se pode chamar de boa gente. Sempre na dele.

Bom, mas o que está mobilizando torcidas e provocando debates acalorados é a disputa dos antípodas: o machão Dourado e o gay Dicesar. O primeiro faz todo mundo acreditar que a vida dará uma segunda chance a todos. Saiu execrado de uma edição anterior, se transformando no grande favorito do BBB 10.

O outro, que por problemas de fonação criou um bordão popularíssimo (“adogo”) é gay assumido e muito bem resolvido.

Essa é a eleição que, até o final deste mês, divide o Brasil. Tudo bem que temos a loura, a morena e o fortão correndo por fora. Mas será que elas e ele conseguirão aprontar uma BBBzebra?

Até lá, milhões de “brasileiras e brasileiros” estarão não somente espiando, mas torcendo por seus favoritos.

E que me desculpem os intelectuais, que torcem o nariz para o programa, eu pergunto: quando é que vocês vão entender que isso é apenas um programa de TV?

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