Menos, menos, Luiza…

Mal começou o ano e já temos o primeiro bordão: “Menos Luiza, que foi para o Canadá”. O que seria apenas um comercial regional de empreendimento de luxo para a classe média alta de João Pessoa, acabou caindo na rede e virando hit. A frase, aparentemente fora de contexto no meio do testemunhal do colunista social mais conhecido da Paraíba, Gerardo Rabello, explicando a ausência de sua filha no sofá, com os outros familiares, na propaganda do condomínio, viralizou e tornou-se o assunto que reivalizou com o suposto estupro do BBB 12 (mas disso aí, eu me recuso a falar…). Vamos deixar a Luiza, que já voltou do Canadá, um pouco de lado e falemos de bordões.
Mas, afinal, o que vem a ser um bordão? Segundo os dicionários consultados, é um s. m.(substantivo masculino) que quer dizer entre outras coisas:

Pau roliço e resistente que se leva à mão para servir de apoio; bastão de peregrino; cajado.

Palavra ou frase que se repete muito; lugar-comum.

Música O tom mais baixo em certos instrumentos; a corda mais grossa de certos instrumentos musicais, e que dá as notas graves.

O primeiro que me vem à cabeça, é da minha infância, quando um rei chamado Roberto, que não perde a majestade, dizia: “É uma brasa, mora”. Esse já ficou no tempo e no espaço, permanecendo apenas na memória afetiva dos fãs do cantor. Roberto Carlos me lembra Chacrinha, o “Velho Guerreiro” Abelardo Barbosa, fazedor de bordões, mas o que continua na lembrança de todos é um que sinalizava para a força do “Quarto Poder”, porque “quem não se comunica, se trumbica”.

Saudades dos anos 60… Bom mas pra fechar essa década de boas e más lembranças, não posso deixar de citar o comercial do Guaraná Antarctica, onde um cara esquisitão bradava: “É bokomoko”. Um neologismo, uma gíria que pouca gente lembra queria dizer algo cafona, de mau gosto, fora de questão.

Entrando na década de 70, quem viu a melhor seleção de todos os tempos jogar e conquistar o tri, no México, não pode esquecer o narrador Geraldo José de Almeida: “Lindo, lindo, lindo. Olha lá, olha lá, olha lá. No placar”. O cara era genial, como eram Jorge Curi, Waldir Amaral. Hoje a gente tem que aturar uma mala, chamada Galvão Bueno…Desse aí, a gente comenta daqui a duas décadas.

“Vamos botar de lado os entretantos e partir para os finalmente”, pois de lembranças não muito agradáveis, é melhor esquecer o “Ame-o ou deixe-o”.

Coronel bom e engraçado, esse sim, era Sinhozinho Malta. A novela, em outra época proibida por coronéis e generais, foi exibida no ano de 85, com Lima Duarte balançando o relógio de pulseira de ouro e eternizando o bordão: “To certo, ou to errado?”. Esse até hoje eu falo. Também por esses anos de luta por um país mais democrático, um bravo gaúcho que virou governar, com aquele sotaque carregado, lá do Sul, falava assim da sua origem: “Eu venho de longe”.

“É tetra. É tetra. É tetra”. Histericamente, o narrador mais chato da TV comemorava, em 94, mas antes fazia o apelo: “Sai que é tua, Taffarel”.

Como eu acho o Galvão uma droga, avanço para os anos 2000 com o crime que o tráfico cometeu na nossa língua portuguesa: “É nóis”. Não, não somos nós. Pra vocês somente pena de morte…

Voltemos então ao ano de 2012. Luiza está bombando na internet. Alguns mau-humorados acreditam ser um absurdo o assunto monopolizar a mídia. É notícia sim, meus caros. Uma ilustre desconhecida adolescente virar assunto, até da minha filha de 12 anos e suas amiguinhas, que, infelizmente, me chamam de tio, isso é notícia sim.

Bom mas se você não acha e prefere viajar para o Canadá, recomendo que antes conheça a bela cidade de João Pessoa. E se encontrar por lá a Luiza, diga que eu mandei um beijo.

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